Pedindo e recebendo o CSQ

Acabou que a minha volta aqui no blog não deu muito certo. Quem diria que 2 empregos fossem me ocupar tanto assim =P

Acabou que eu pedi e recebi o CSQ e nem comentei disso aqui no blog. Pois então vim aqui mudar isso.

Ano passado (2015) falando com uma brasileira que tambem ia imigrar pelo PEQ ela fez um comentario que ficou na minha cabeça. Ela queria dar entrada no processo com 6 meses do fim do curso caso as regras mudassem no ano seguinte. É verdade que o PEQ é um processo que não tem e acho que não teve mudanças drásticas no processo, mas vai que né. Vai que resolvem pedir C1 na prova do francês ao invés do B2. Vai que acrescentam alguma coisa. Esse comentário dela realmente me assustou e na duvida preferi dar entrada logo pra garantir que estaria dentro das regras e se acontecesse de mudarem as regras meu lugar estaria garantido (logica meio paranoica rs).

Juntei todos os documentos e formulários pedidos (que nem eram muitos pra falar a verdade) e enviei tudo em dezembro. Segundo o site, no PEQ podemos dar entrada com 6 meses da data prevista para receber o diploma. Ou seja, não é exatamente do fim do curso. Afinal, no fim da ultima prova a gente não sai de la com o diploma. E no meu caso, eu ainda ia passar umas semanas no estagio, que tambem teriam que ser avaliadas para então fecharem as notas e de fato acabar o curso e processar o diploma. Alias, o diploma demora. Na verdade eu usei um dos outros documentos aceitos como prova de conclusão. A questão é que não adianta mandar tudo muito cedo e ficar com o prazo apertado depois (como foi o meu caso). Acontece que eu já tinha marcado de ir pro Brasil no natal então eu mandei pouco antes de ir.

Vi no banco que me cobraram a taxa e depois (mais ou menos um mês depois) recebi uma carta dizendo que eu estava dentro dos critérios e que estavam aguardando o envio do meu diploma ou prova de conclusão de curso para processarem meu pedido e me deram uma data limite para eles receberem os documentos pendentes que caiu em Julho me deixando com cerca de um mês após o fim do estagio pra resolver isso dentro do prazo. O problema é ficar a mercê do colégio processar tudo a tempo.

Mas consegui enviar tudo uma semana antes do prazo e como é dentro de Montreal a entrega do correio é rápida. Ah, e como tem que ter emoções nessa vida ainda tinha boatos de que o correio ia entrar em greve! Mandei por Fedex ou UPS, não lembro.

Agora, a parte bizarra mesmo foi que exatos 10 dias depois eu recebi uma ligação do moço da imigração dizendo que o documento da prova de conclusão do curso (um tipo de histórico escolar) não estava direito. Acontece que eu peguei do site do colégio e quando eu imprimi ele não estava atualizado ainda e tinha uma campo lá que não dizia que eu terminei o curso -_- Esse moço foi um anjo enviado por Deus de tão incrivelmente legal que ele foi. Ele me ofereceu de ir la entregar pra ele no mesmo dia esse documento. Eu corri e imprimi a nova versão e vi o campo que ele precisava. Ainda bem que já estava atualizado. Ufa! Corri mais que o vento e entreguei la. O moço queridíssimo me pediu pra esperar e me entregou o CSQ em mãos! =O Muito amor por esse moço! Ele me contou que quando é uma coisinha assim as vezes ele tenta ligar pra pessoa. Se não ele teria que negar o CSQ e eu teria que começar  de novo do zero (e pagar a taxa de novo x_x) Saí de la nas nuvens! Mas acho que ele mesmo deve ter sido um imigrante ou filho de imigrante porque se fosse um quebecois não sei se teria tido a mesma reação…

E foi assim que consegui meu CSQ =D

Não existe paraiso – um pouco da vida e das dificuldades de viver aqui

O bloguinho vai ficando abandonado… Mas ele não morreu!

Outro dia perguntaram num grupo no facebook quais as dificildades que a gente ainda encontra depois aque chega aqui ou menos depois de anos aqui. Muita gente ainda acha que aqui é o paraiso e que depois que o visto sai os problemas acabaram. Bom, choveu respostas e depois eu vi que virou assunto no Montreal na real com o nome de Dark side da imigraçao. O audio é bem longo então fui ouvindo picadinho durante a semana e eu gostaria de dar meu ver no asssunto tambem. Eles falaram de muitas coisas pertinetes e me fez pensar (só nao pensei mais pq as coisas estam tensas no meu dia-a-dia rs).

Acho que medo do inverno e saudade da familia é a primeira coisa que todo mundo pensa. Mas o que a galera mais sente, pelo menos de acordo com o que eu vi no post e com o Montreal na Real é o idioma, integraçao, idioma, trabalho, idioma. Sim eu falei idioma 3 vezes porque é o que pesa. Realmente nao saber se expressar é frustante e a razao pela qual eu nao sou mais fluente em frances depois de quase 3 anos aqui. Montreal é bem bilingue, no sentido que quase sempre consigo ser atendida em ingles em diversas situacoes, que para evitar a frustracao e o bloqueio do frances, eu acabo sempre caindo no ingles. My bad. Mas não recomendo. Vindo para o Quebec quero reforcar que é essencial o frances. Eu me viro bem porque meu listening nao esta ruim e eu consigo acompanhar o que esta acontecem mesmo que eu perca pedaco das frases. Na verdade, apesar de nao me sentir segura para falar frances, em diversas situaçoes eu percebi que estou acima da media de mt gente que chega aqui quando se trata de entender. Por outro lado, estou bem abaixo quando se trata de sair falando sem medo de tentar. E no ingles eu me sinto confortavel e me viro bem.

O que eu sinto mais mesmo é a questao de nao pertencer, nao entender, nao saber das coisas daqui. Depois que arrumei um TV eu ainda continuo nos canais em ingles porque eles fazem sentido pra mim (ate porque tem parte da programacao america como algumas series que eu gosto). Nos canais em frances eu não sei quem eles são, nao sei direito do que eles estao falando, as piadas fazem sentido e é um esforco muito maior a ser feito para poder acompanhar. Até meu namorado que é daqui não curte rss ai fica dificil ne xD Mas eu estava me sentindo muito isolada no fim do ano passado. Ainda nao sinto que fiz amigos aqui, daqui que ficaram aqui. Depois do meu primeiro ano eu decide que evitaram me apegar a pessoas que vao embora. Cansei de dar tchau e ficar pra tras. Fiz muito isso no primeiro ano quando estava de intercambio. Muita gente vem pra ca e fica 1, 2 , 3 meses e vai embora, os que ficam mais ficam 6 e eu que fica ficar 10 meses estou aqui ate hoje. No fim daquele ano eu nao tinha mais amigos. Foi triste foi chato. Foi uma galera que me fez falta. Depois eu comecei o college e eu sabia que teria aquelas pessoas por pelo menos 3 anos. Mas ja no inicio do ano passado eu ja comecei a perceber que nem todo mundo quer ficar. Tem gente que se forma e vai embora, volta pra casa ou quer ir pra outra cidade ou pais. Comecei a sentir que Montreal é uma cidade transitoria. Quem anda no meio de estudantes sabe que é um publico que se forma e vai embora. Tem gente de cidades vizinhas ou de outras provincias que so vem aqui para estudar mesmo e volta depois do curso. E mesmo dentro do meu curso eu sinto que falo com todo mundo e todos os grupos, mas não pertenço a nenhum. E no fim as pessoas com quem saio sao brasileiros… Moral da historia, acreditei que college fosse me dar oportunidade para fazer amigos, mas na realidade nao foi bem assim. Mas fiz bastante conhecidos.

Outras coisa que pesa é nao saber como as coisas funcionam aqui. Ao contrario de quem chega imigrante e tem que resolver tudo ao mesmo tempo e rola um overdose de coisas a serem feitas  + entender a cidade, eu pude ir com calma nesse aprendizado. E mais, meu curso me deu muita informaçao util pra quem nao é daqui. Por exemplo, eu tive uma aula de segurança no trabalho que me apresentou o CSST e como funciona. Ou seja, qualquer acidente de trabalho que aconteça o CSST cobre, se você precisar se ausentar do trablho por isso explicaram como eles calculam o salario etc etc. Posso nao saber tudo de cor, mas ja sei onde ir pra perguntar. Minha aulda de RH falou de curriculo dos e donts e cover letter mas isso voce acha na internet. Falamos sobre perguntas ilegais que você podde recusar a responder porque não sao pertinentes ao cargo ou que podem ser descriminatoria. Falamos das unions que sao como sindicatos e que tem um peso enorme aqui. Elas fazem contratos com as empresas em nome dos funcionarios (qualquer cargo de supervior pra cima nao esta coberto) determinando TUDO, carga horaria maxima, carga de trabalho, como promover alguem, direitos etc etc. E isso vai pesar qnd voce quer ser promovido. Pois a union sempre da prioridade pra quem temmais tempo de empresa. Ou seja, fulano pode nao ser muito bom ou o mais competente para ser promovido, mas ele tem 20 anos de empresa e quando tiver uma oportunidade de promocao ele sera a primeira opcao. Esses agreements mudam de empresa pra empresa mas essa da senority é cliche. Logo, sabendo disso ja sei que as promocoes vao demorar, na hora de fazer horario o ulltimo que chegafica com menos horas, quem tem senority pode escolher dias de folga, os horarios etc etc. Ja não vou ficar surpresa com isso. Tambem tive aula de law que eu uma geral muito boa em varios assuntos. Sei que contrato verbal aqui tambem conta, que contratos podem ser cancelados se você provar que você foi forçado ou intimidado a assinar (por examplo, com uma arma na cabeca), que contrato de aluguel de casa renova automaticamente, que video nao conta como testamento em caso de morte (historia engracada), que se não casar, mesmo depois de 40 anos juntos, o conjuge nao tem direito aos bens depois da morte do outro conjuge.

Outra aula que me ajudou muito eh a da frances esse ano. Eles dividiu as regioes do Quebec e cada um tinha que apresentar pra turma. Quem diria, tem 21 regioes dentro do Quebec! Pelo menos ganhei uma nocao da provincia como um todo. Mas o que me falta mesmo é entender as divisoes de Montreal e redondesas… Falam muito da West Island (que eh pra onde tem o aeroporto), South Shore (que pelo o que eu entendi é fora de MTL, Brossard etc depois do ponte rs) e volta e meia falam um lugar e eu fico… ah ta…… (????) E é esquisito porque nas aulas é tudo muito local e nem sempre os exemplos dos profs fazem sentido pra mim. Tem empresa que eu nao conheco. É tipo eles dando falando da Mesbla (quem lembra ?  rsssss). Sinceramente eu ouvi muito dessa loja quando eu era crianca, nem sei se cheguei a entrar nela, ela faliu. Mas se alguem falar dela acho que nao ia ficar tao perdida. Ou mesmo usar a Varig como exemplo. Enfim, eu fico por fora. Isso éporque eu ainda nao tive ue falar de celebridades canadenses hahaha. Quebecois entao…..

Do meu ponto de vista, o inverno é o de menos. É frio, mas só na rua e quando eu entro eu ate esqueço. O que pesa mais pra mim é o dia curto e a falta de sol. Dezembro aqui ficou dias sem fim nublado e cara de chuva. O dia super curto com o por do sol pelas 16h e o pouco e luz solar que a gente podia ter ficou coberto por nuvem. Isso semana a pos semana comecou a me incomodar. Acho que posso ousar dizer que prefiro -30C ao fresquinho que tava porem nublado. Me de sol, mesmo que com o frio. Entranos no horario de verao no fds passado e eu adoro (mesmo tendo sido uma transicao dificil fiquei com os horarios tudo trocado). Literalmente de um dia pro outro o sol se poe depois das 18h =D

Quanto a preconceito por ser imigrante eu ja senti uma leve vibe numa entrevista de emprego. Foi e nao foi preconceito. Eu tive a sensacao que minha experiencia fora não conta. Eu ja trabalhei em hotel e a pergunta dela foi assim “entao voce nao tem nenhuma experiencia em hoteis….. em montreal” e isso me incomodou pq me deu a sensacao que se nao for aqui nao conta. Mas se todo mundo for pensar assim como é que se consegue a experiencia aqui???? ora bolas! U_U e outra que me incomoda muito é quando meu namorado diz que “é coisa de imigrate”. La estava eu linda olhando floquinhos de neve de perto tão lindinhos e ele me disse “ça fait tellement immigrant” (ah isso é tao imigrante) eu nao acho que ele fala por mal, acho que faz mais pra implicar mesmo, mas mesmo assim… De forma geral eu acho que os quebecois são bem tranquilos com imigrantes. Na verdade eu acho que são os outros imigrantes que trazem seus preconceitos, assim como nos trazemos os nossos. Não que os quebecois não tenham preconceitos, mas eu acho que eles ja crescem numa cidade tão multicultural que acho que eles crescem mais receptivos, eu imagino.

Acho que o post ficou muito cheio de ideias soltas em cada paragrafo, mas é que eu tenho um monte de coisa em mente e esta tudo bagunçado rs mas o que eu quero dizer é que aqui não é um paraiso apesar de ter uma qualidade de vida bem melhor. Se você pensa mesmo em vir pra ca foque na lingua. Sem ela você se enrola pra fazer todas as outras coisas. Pesquise bastante! Porque quanto mais voce souber antes de vir mais facil fica quando voce chegar aqui. E saiba que tem umas coisas que são bem pessoas. Umas pessoas se integram melhor, cada um sente falta de uma coisa, uns se sentem em casa mais rapido, uns sentem muito. E se vier e ver que isso nao é pra voce, volte e busque o que te faz feliz. Nao tem pra que ficar infeliz aqui. Canada não é para todo mundo, imigrar não é para todo mundo e ninguem é menos por isso.

Eu adoro o Canada, gosto muito de Montreal, mas tenho meios receios quando algumas politicas do Quebec. E o sistema de saude daqui me assusta. Volta e meia tem umas historias loucas no jonal de pacientes que tiveram problemas. Do nivel que vi uma materia de pessoas cruzando a fronteira pra ir numa clinica em Ontario e falando como o tratamento la é muito melhor. Aqui você espera demais, os medicos fazem pouco caso e parece que eles evitam fazer testes mesmo você precisando ser dianosticado… Nisso outras provincias parecem melhores, sem contar a ausencia do frances 😉

Pra onde eu iria? Não sei…

Ela