O que eu gosto em MTL sem ser segurança nem qualidade de vida

Esse foi o desafio que no rolou no snap esses dias e eu achei que foi um tema muito legal pra deixar se perder na memoria curta do Snapchat.

Eu fiz uma listinha e vou mostrar pra vocês o que eu gosto em Montreal. E excluir qualidade de vida é difícil porque tudo é qualidade de vida rsss.

Festivais e eventos

Montreal é uma cidade muito viva nesse quesito. Sempre tem coisa pra fazer seja no inverno ou no verão. E a melhor parte é que existe muita coisa de graça tambem! É uma cidade muito cultural e tem os mais diversos eventos. So para citar os grandes tem o Festival de Jazz, Francofolies (musica francesa), Grand Prix, Piknic Electronik, Just for Laughs (Só Rindo). Tem festivais demais no verão que nem da tempo de ir em tudo. E no inverno tem o Fête des neiges, Igloofest, Montreal en Lumiere. É uma cidade que sempre tem coisa para fazer. Pago e de graça. Amo!

Multiculturalismo

Aqui tem gente do mundo todo e você aprender muito sobre varias culturas. E a melhor parte é que isso se traduz em restaurante. Aqui se acha comida de tudo que é canto. Tem cada coisa boa!

Respeito, gentileza, educação

Ja disse tudo né. O canadense ja é conhecido como um povo gentil (ate demais segundo as piadas dos EUA) e de forma geral quem vem pra cá aprende a se enquadrar. De forma geral é um povo bem gentil, bem educado. Mas sempre existem exceções…

Cabeça aberta (open-mindedness)

De forma geral as pessoas aqui tem menos preconceitos com diversas coisas comparado com o Brasil. Mas vale lembrar que imigrantes (inclusive nós) trazem consigo suas crenças, sua visão de mundo e com isso seus preconceitos tambem… Ou seja, ainda existe preconceito sim, mas é menor, eu diria.

Não tem modinha

Eu percebi muito antes de pensar em morar aqui que no Brasil as modas são fortes. E todas as lojas vendem tudo igual. Aqui você acha loja de todos os estilos e todos os gostos.

Liberdade de ser eu

E complementando ao anterior, você acaba tendo a liberdade de ser você sem ser olhado torto. Sem medo de ser feliz. Pode ser gótico, pode ser descombinado, pode ser exótico. Tinguem vai te tratar mal e menos gente – quase ninguém – vai te olhar torto.

Estações do ano definidas

A alegria que a primavera traz!!!! Só depois de um ou mais invernos aqui você vai entender! Curtir o verão como se não houvesse amanha. A graça que é as arvores no Outono. E a neve no inverno! Aprender a curtir um inverno tão intenso tb é possível.

Tranquilidade

O Canada de forma geral tem um ritmo de vida mais calmo e desacelerado. E por mais que segurança nao valha nessa brincadeira eu acho que a tranquilidade pelo fato do Canada não ser um pais que se mete em guerra é super valida tambem.

 

Bom é isso o que eu consegui pensar rapidinho pra fazer uma lista.

e pra quem não me segue ainda no snapchat vai la! quebecleza

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Depois de 2 anos, tenho TV de novo

Desde de que cheguei no Canada eu tenho vivido sem TV. Lembro que achava estranho quando ouvia isso por aqui, mas depois me dei conta que eu não assistia mais TV. No inicio, com a euforia do intercambio, confesso que não fez falta. E não é que não tivesse TV na casa, eu apenas nunca parei pra assistir. Com um monte de coisa pra fazer la fora, tantos lugares pra ir, coisas pra fazer que não fazia sentido se prender a TV. Eu realmente acabava indo pra casa só pra comer e dormir. Cada estação é diferente e o verão em Montreal é tão cheio de festivais grátis que ficar em casa seria um grande desperdício. Aliás, como o sol se põe super tarde no verão (quase 22h) eu me ferrei muito quando tentei chutar a hora olhando pro sol como se fosse Brasil e não pro relógio. Pensava “ah , eve ser 4 ainda”, mas ja era 7 e eu ja tinha perdido a hora do jantar na casa de família….

Como eu disse tinha TV na casa (pelo menos nas de familia), mas eu não estava em casa pra assistir. Mas sempre tem um dia de chuva, um dia sem planos, um momento em que os companheiros de aventura voltam pro seu país… Dai o problema era que eu não sabia o que assistir. Eu não sei os canais, os programas, os horários. Acabei me virando com a internet. Até que a festa acabou e a vida virou rotina. Escola, casa. Casa, escola.  Uma TV começou fazer falta… Mas eu morava com mais 4 meninas e ninguém dava falta de uma TV. Uma menina me indicou o tal do project free TV que tem vários (mas não todos) programas e filmes, mas ele é cheio de ads… Acompanhei umas series por ali, outra por um app da City e resolvi entrar no Netflix. Vivi de Netflix por um ano e meio. Não me pergunte o que aconteceu no mundo. Se não apareceu várias vezes no Face eu não soube rs. Mas as vezes tudo o que eu queria era assistir alguma coisa diferente, outros assuntos…

Até que com a mudança e minha mãe aqui ela acabou me comprando uma TV (eba! Thanks mom!) (ela tb é dessas que precisa de TV). Mas eu acho TV a cabo meio cara e se eu sobrevivi ate aqui sem ela não vi porque gastar esse dinheiro. Fiquei só com a meia duzia de canais abertos. E apesar de já ter TV faz um mês eu quase não parei pra assistir alguma coisa de verdade (achei um programa que eu ja conhecia que vou tentar assistir e a Ellen que nunca acerto o horário rs). Até que… Ontem eu assisti o tal do The Social (uma mistura de Saia Justa e Mais Você) e depois o jornal e um outro e um outro. Já sei os dois canais principais ( CTV e City). E aos poucos vai fazendo sentido.

Diferenças culturais na hora do intervalo

Que o Canada e Montreal são multiculturais você já deve saber, mas uma coisa que me chamou atenção foi um propaganda de fraldas. Enquanto no Brasil nossos comerciais acabam sendo feito com pessoas modelo e de forma geral não mostra muito diversidade cultural (ta, isso já começou a mudar lentamente). Mas acho que propaganda de manteiga e fralda ainda vende aquela família branquinha meio europeia… E eis que eu vi – o que parece ser pela primeira vez na minha vida – uma propaganda de fralda que não é assim.

O que me choca é o fato que eu fiquei chocada. Eu nunca imaginei que fosse me marcar. Eu não me sinto incomodada com a propaganda em si, mas como  fato que eu não estou acostumar a ver comerciais que realmente mostram uma diversidade. E quando ela aparece sempre vem bem no estilo “olha, estamos incluindo minorias! Somos legais!” e ai mostra alguém loiro, cabelo escuro, negro e/ou asiático. Ou homem, mulher e negro ou asiático. Mas não sei se consigo lembrar de um em que a “diversidade” protagoniza sozinha a propaganda.

Outra é uma de carro. Essa não me impactou tanto, mas achei bonitinha. UPDATE

Acho bonitinho o pai meio que ajudando mas opa opa opa! Pera lá hahahaha Mas de verdade isso pra mim é mais diversidade. Não é só uma etnia. E isso fica bem MTL. Ficaria bem Brasil tambem se não fosse nossa mania de querer ser gringo…

Fora isso tem muita propaganda estranha.. o_o

Tem também um programa que eu vi de relance que parecia uma coisa meio Mais Você apresentado por dois homens e eu acho que eles eram gays xD. Eu sei o que o Clodovil era gay e tinha um programa, mas não sei se consigo ter um segundo exemplo. O Brasil é realmente cheio e preconceitos e eu não sei o quanto deles eu estou carregando comigo…

Voltando ao The Social (só assisti dois até agora), ele é um desses programas em que 4 mulheres falam de tudo e dão suas opiniões. Falam de relacionamento, família, moda, babado dos famosos e alguma noticia louca ai. Pra mim o diferente é que elas consideram e questionam bastante a questão de gênero, papel da mulher/do homem. Como exemplo vou usar esse video nesse link em que elas falam do RBF (resting b!tch face).

Fora isso tem os canais em francês que eu ainda não parei de fato pra assistir. Cheguei a ver um filme que ja tinha visto em francês (pq assim como a Globo aqui eles tambem dubla coisas pra francês). Mas eu acho os programas em francês mais difíceis de acompanhar não só pela língua mais pq se eu pegar o bonde andando aí mesmo que eu não sei o que ta acontecendo. Teve um em que eles contam uma historia e você tem que adivinhar quem inventou a historia quem contou uma que aconteceu e verdade… Só vou dizer que eles eram bem quebecois rsss

E por fim é que me mantém um pouco atualizada com o que ta acontecendo na cidade tanto pelo jornal quanto pelas propagandas dos festivais e eventos.

Ela

O interculturalismo do Quebec (continuando)

No ultimo post eu falei do Multiculturalismo e seus efeitos. Só esqueci de dizer que era mais pro Canada do que pro Quebec. Eu acabo esquecendo que o Quebec é meio filhinho favorito e faz o que quer. Com isso no Quebec existe o Interculturalismo. E ele por sua parte é diferente do Multiculturalismo.

A professora definiu (estamos falando disso em sala de aula) o interculturalismo mais ou menos como “você acredita no que quiser, fala a lingua que quiser, as tradições que quiser… Dentro da sua casa.” Enquanto o Canada e seu multiculturalismo quer abraçar o mundo e gritar “SEJAM TODOS BEM-VINDOS” (mesmo que essa atitude tenha repercussões já discutidas no post anterior), o Quebec prefere mostrar seus valores e ter os imigrantes se integrando a eles, mas deixando espaço pra que cada um ainda mantenha sua cultura, se quiser. Como na lista de leitura não tinha nada muito especifico de Quebec eu achei o texto “Clarification of terms: Canadian Multiculturalism and Quebec Interculturalism” que eu confesso que não li todo. A questão é que o interculturalismo quer que o imigrante saiba e respeite os valores de Quebec. E os valores são definidos: liberdade de expressão e religião são fundamentais a sociedade quebequense alem do mais todo mundo beneficia da proteção igual da lei (leis aplicáveis a todos) e o documento oficial diz mais: “viver no Quebec é viver em francês (MICC, 2011, p. 2). A lingua francesa é o simbolo de pertenção à sociedade quebequense (MICC, 2011, p.2). Aprender a lingua francesa é, de fato, necessário para uma integração social e economica bem sucedida (MICC, 2008, p. 14; MICC, 1991, p. 17 and 66).” #ficadica

Com isso você vê que o approach do pais e da província são um cadinho diferentes. Ambos concordam com o conceito de que a lei se aplica a todos e que deve se respeitar a herança cultural que o imigrante trás. Mas eles diferem no momento em que Quebec quer que você faça parte e saiba e respeite os valores locais e em troca Quebec respeitará sua contribuição como imigrante e assim a integração bem sucedida precisa dos esforços de quem ta aqui e tambem de quem chega. Em palavras mais simples todo mundo fica feliz (no papel). Já o Canada, segundo o texto apresentado no post anterior, me parece muito mole e sem impor limites. Não da pra agradar todo mundo e dizeer que todas as culturas estão ‘certas’ e podem fazer o que quiser. Ideologias opostas caminham em direções diferentes e ai?

Conheça o Hijab.

Bom a questão é que Quebec tambem tem seus problemas. Nessa de enfatizar no Estado secular rolou aquela conversa ha mais de um ano atrás sobre funcionários do governo não poderem mostrar nem um item religioso no local de trabalho. Ouvi sobre o assunto, mas não li sobre. Basicamente ninguém poderia ter uma cruz, um véu, uma estrela de Davi ou qualquer outro item relacionado a religião já que o funcionário estaria representando o Estado e o estado é laico. Mimimi. Mas do que interferir na liberdade de expressão e o direito a religião essa ideia pra mim fica bastante discriminatória quando chega no hijab (o véu que cobre/esconde os cabelos), por exemplo. Basicamente quem usa não poderia trabalhar no governo. Cadê aquela coisa de oportunidades iguais? E não pense que é raro não que aqui tem um monte. Assim como muitas outras religiões. Na minha pequena opinião eu acho que uma lei como essa ultrapassa uma linha, um limite. Mas ela teria ficado de lado depois das eleições.

Pequeno pode. Grande não pode.

Seja Bem-vindo!

Até que, com a situação da França do Charlie Hebo, Quebec, que se espelha muito na França, quis voltar a considerar o que eles chamam de Charter of Values (que discutia a questão dos funcionários do governo vs sua religião no local de trabalho). Mas acho que esse é um daqueles assuntos que entram e saem dos jornais, mas não vão muito a lugar algum. Mas isso mostra como Quebec quer um pouco que seja. Soa como um: você é livre pra fazer o que quiser e vestir oque quiser, em casa. Na rua você tem que se enquadrar e parecer e agir como ~eles. #achochato

Aparentemente esse assunto era bem trabalhado quando a minha prof tava no colégio (brainwashing. Oi?). Ela contou uma historia meio bizarra. A prof dela tinha um mapa e estava colocando um pin em cada país que representasse a cultura dos alunos. Legal? Só que não. Essa prof queria por que queria encher o mapa dai que ela marcava Itália mesmo pras crianças em que a ligação com a Itália era o tataravô, sabe? O lance era encher o mapa. E eis que na vez dela na hora de responder – o classico – ” da onde você vem?”  no qual você = familia no sentido “quem na sua familia é imigrante e da onde ele/a veio” (essa ultima parte foi por minha conta) ela só conseguia responder Quebec. Acontece que ela é a rara espécie de Quebecoise que nasceu no Quebec, filha de Quebecois e se muito tem alguém nos EUA. Mas essa não era a resposta que a prof queria. Vê se pode! Como se ser daqui não fosse bom ou como se não fosse um lugar/pais/nacionalidade. E ela, como criança, chegou em casa decidida a saber de onde eles são. Hoje ela acha que a vó só a quis deixar feliz quando disse que tinha Espanhóis na linhagem. Nem no avô que disse que eles tem descendentes Nativos (índios). Isso tudo pra mim soa mais como a versão do Multiculturalismo. Mas vai que na época o conceito tava mais misturado o_O

Via Rail

Lemos em aula tambem um poema que fala da época da construção da Via Rail – a linha ferroviária que liga Leste a Oeste do Canada. E falando desse poema teve muito assunto historico e pouco tocado. Como qualquer pais hoje em dia, o Canada tambem tem um lado da historia menos bonita. Eles trouxeram muitos imigrantes para a construção (trabalho escravo e exploração de imigrantes, alguem conhece?). Mas quem tava aqui tb queria trazer familia e eis que criam um tax head (imposto por cabeça) no qual o imigrante aqui teria que pagar o equivalente ha um ano de trabalho para trazer alguém. Depois teve um historia com campos de concentração? Durante alguma guerra os Japoneses eram os “inimigos” e como o Canada sempre vai ficar do lado da Rainha (leia-se Inglaterra) os Japoneses não automaticamente inimigos. Ai que o Canada, seu lindo, jogou os japoneses em campos no meio do nada em condições péssimas apenas para tirá-los da vista e dar sensação de segurança =) #risoironico.

Deixa eu enfatizar que isso é a minha versão do que eu entendi com o resumo que ela deu da historia. Mas a moral da historia é que o Canada teve sim seus problemas e está longe de ser um país perfeito. Assuntos assim são deixados de lado na hora de contar as historia do país né rs. E só como uma questão de conhecimento geral foi daí que nasceu o prato Patê Chinois. Eles alimentavam a massa de imigrantes (em boa parte chineses) com isso. E o curioso é que a família da minha super quebecoise prof tem mó orgulho disso. Eles alimentaram a massa. Alguma coisa assim.

Mais uma curiosidade – um pouco fora do tema. As escola no Quebec acabam tendo preços para Quebecois/residente; canadenses; e estudantes internacionais. Sim, três preços. Um pra cada. Só que Quebec tambem tem um acordo com a França no qual franceses podem estudar aqui pagando preço de quebecois! :O Mas se alguem vem de Ontario ou Manitoba etc paga mais caro! #tobege

Realmente o Quebec é como um país dentro de um país. Gosto muito de Montreal. Mas em caso de separação acho que eu fico com Canada.  =X   Shhhhhhh!

Ela

Um multiculturalismo que separa

Eu li o texto “A_Question of_Belonging: multiculturalism and citizenship” do Neil Bissoondath para a escola (na aula de inglês estamos falando de geração Y, multiculturalismo e questões de gênero) e confesso que eu adorei o texto e eu tenho muita coisa pra pensar. Eu coloquei o PDF ali pra quem quiser ler o texto na integra (gigante! eu sei…).

Como futuros imigrantes nós sempre ouvimos/lemos muita coisa da vida aqui. Vemos que o Canada promove igualdade, tolerância, mas também ouvimos/lemos varias historias de preconceito contra imigrantes inclusive para conseguir emprego. E é aí que tudo fica meio turvo. Cade os valores canadenses??

Eu sempre achei que o Brasil e o Canada sãos países com gente de toda parte do mundo a diferença é que no Brasil a gente já se misturou faz muito tempo e hoje somos todos brasileiros (e depois de ler esse texto dou mais valor a isso sabia) enquanto aqui todo mundo continua em seus grupos, ou seja, acabam virando Chineses no Canada, latinos no Canada, Árabes no Canada, russos no Canada e assim por diante. O Canada é essa grande nação que se diz abraçar todas as outras através da seu multiculturalismo e sua dita tolerância. Mas como disse o Neil o Multiculturalism Act é genérico e usa com frequencia palavras como: reconhecimento, apreciação, respeito, promover, preservar e outras do gênero. Parece até que esta falando de um patrimonio da humanidade. E acaba por afirmar que os imigrantes não precisam mudar quem eles são colocando na sociedade a responsabilidade de se ajustar aos que chegam. Como se os imigrantes fosse continuar aqui a vida do jeito de levam lá no seu pais de origem. Como se a cultura daqui não fosse influenciar o individuo. Nós, como seres humanos, não somos estáticos o ambiente muda a gente. As experiencias nos enriquecem e com o tempo mudamos. Eu não sou as a menina que chegou aqui há quase dois anos. Muito menos a menina que era quando vim pro Canada pela primeira vez em 2008. Não tem pra que proteger algo que eu não sou mais. Eu, particularmente quero me “enturmar” aqui. Não quero apenas ser uma brasileira em Montreal. Eu quero ir além e eventualmente “ser daqui”. Entender como a cidade, a província e o pais funcionam. Não quero ninguem me obrigando a ser a ~tipica brasileira~ de samba, carnaval e futebol – nunca fui isso mesmo. O Brasil é mais que isso. Os ~haters que me perdoem, mas é um país cheio de belezas e riquezas que nem sempre valorizamos. Mas na hora de representar o país ficamos sempre amarrados a esses conceitos – e outros preconceitos. No texto Neil ressaltou uma coisa que eu não havia reparado ainda: a simplificação da cultura. Que nos milhões de festivais que o Canada tem pra promover e valorizar o multiculturalismo são muito superficiais ainda presos a esteriótipos apenas para entretenimento. Não promover o conhecimento e a quebra de barreiras. Você não sai sabendo ou conhecendo mais do que quando entrou. É verdade. Acaba por ser tudo um grande teatro preso no tempo ou num mesmo cenário (e muito provavelmente do mesmo lugar. Quem de fora do pais vai saber de Santa Catarina ou Mato Grosso? Mas quase certo que sabem Rio). Não representa a realidade daquele lugar, a situação atual nem como são as pessoas. Muito triste isso. O Canadá esta perdendo uma oportunidade de ser um país muito rico em conhecimento. Cada imigrante pode ser considerado uma fonte de conhecimento e uma ponte até aquela cultura. Não tempo pra que ficar repetindo esteriótipos.

E com toda essa questão de proteger e preservar a cultura de fora – e de certa forma não se impor nem seus valores –  o país se coloca em situações muito complicadas. Neil cita exemplos como dos Serbians vs Croatians em que um membro da Ontario Legislature não quis se desculpar pelo o que disse sobre os Serbians. Pelo o que eu entendi esses dois grupos tem uma rixa antiga que é passada a diante. Agora o que acontece quando eles imigram pro Canada? O que acontece com essa rixa? Ou como o caso em que faz parte da cultura dos West Indians fazerem festa com musica alta e convidar vizinhos com comida e bebida de sobra com intuito de diversão. Mas na realidade daqui acabam virando um vizinho festeiro que toca musica alta e perturba e fica sendo mal visto pelos outros. O que o Canada faz sobre isso? Dai que se alguém reclamar do som alto acaba sendo visto como intolerância e agressão a cultura (oi?).   Afinal ele me encoraja a levar quem eu sou, minha cultura, raízes e costumes comigo. Junto com preconceitos, rivalidades, intolerância, pensamentos/atitudes radicais. Não faltou um limite? Não seria essa a oportunidade do Canada se impor como um lugar onde a aceitação, igualdade, o respeito prevalecem? Aí o texto traz um exemplo que vai ainda mais longe e eu, pessoalmente, fico que não saberia o que fazer como ministra ou sei la quem decide essas coisas: a circuncisão feminina. Houve um aumento no pedido desse procedimento. Acontece que por aqui isso é visto como mutilação e ainda traz repercussão na saúde da mulher como sangramentos graves, infecções frequentes, dor durante o sexo, hemorragia durante o parto ou infertilidade. É uma pratica que não faz sentido dentro da mentalidade Ocidental. Mas é cultural, e aí? E acaba que as famílias acabam por mandar as meninas pro país para fazer o precedimento que eles gostariam que fosse realizado no Canada.

Toda essa questão do ~multiculturalismo~ faz a gente olhar uns pros outros com essa premissa de querem encaixar todo mundo num grupo, seja ele étnico, cultural ou religioso. E é assim que nascem diálogos como:

– Da onde você é?

– Daqui.

– Não. Da onde você é mesmo. Seus pais sua familia?

No inicio eu achava que eu tinha A cara de turista. Mas no colégio comecei a perceber que é a tipica pergunta daqui. Até quem nasceu aqui recebe essa pergunta (especialmente se tem uma feição muito ~étnica). Ser daqui não satisfaz. Tem que dizer de onde seus pais (ou talvez avós) vieram. Ucrânia, Jamaica, Tailandia, Coréia. E assim nascem os alguma-coisa-canadian. Porque ser canadense não responde a pergunta. Nesse momento é que os que mudam pra cá e seus filhos ficam com uma identificação mista. Quem nasceu aqui é canadense primeiro ou a nacionalidade de seus pais primeiro. As vezes eu sinto que essa identificação de “grupo” conta mais. É ser indiano primeiro, croata primeiro, chines primeiro e depois canadense. Ao ponto que os filhos de imigrante foram lutar na Croácia. Eu acho estranho que crianças que nasceram e cresceram aqui tomem parte numa briga que “nem é deles”. Imagina que eu tenho um filho aqui e ensino ele a não gostar de argentinos. Faz sentido? Pra mim não. Já é besta isso no brasil que dirá num país que está na outra ponta do continente.

Quem sai perdendo é o Canada que constrói um país dividido, segmentado, que mantém preconceitos em vez de minimiza-los. Vira um país cheio de clubinhos e nenhuma noção de unidade e conjunto coeso. Ficam passando essa ideia de um grande mosaico de culturas e esquece de fortalecer a própria. Os valores do Canada soam bem legais, mas seria mais legal ainda se fossem trabalhado para que criar uma sociedade coesa.

 

Ela

Comentando a lista de 30 coisas pra fazer na viagem

Quando eu fiz a lista eu achei que eu fosse postar conforme eu fosse fazendo as coisas, mesmo que fosse um post falando de vários itens. Só que não rolou. Eu quase não tenho postado, mas volta e meia eu dou uma riscada na lista.

Eu acho que eu to conseguindo fazer tudo que eu tinha planejado. Ta indo melhor do que eu esperava. =)

Sair pra dançar: bom, não foi do jeito que eu tinha pensado , super boate mas ja rolou. Fui no Cafe Campus numa terça e foi muiiito legal! Tinha varios canadenses!! Eles existem! Mas OBS quinta é quando fica lotado de intercambistas! Quando eu fui a maioria era latino e todo mundo meio ou muito bebado. Particularmente preferi terça…

Foto em grupo com pelo menos 5 nacionalidades: tirei com a turma de Toronto umas 2 vezes. ^^

ir num festival de verão: Eu decidir que só iria cortar esse item depois que eu fosse em alguns, e pronto! Já fui no Francofolies, festival de Jazz, Weekends du monde, Picnic Electronic, Montreal Completement Cirque. OBS todos de graça =D Mas ainda não acabou!! Tem mais coisa vindo por ai e eu quero ir!!DSC02797

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uma das barraquinhas brasileira no weekends du monde

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o palco do Magreb no weekends du monde

Enviar cartão postal: enviei pra ele e pra Mamis e uma amiga. Primeira vez na vida que eu mandei um cartão postal =D E todo m undo recebeu!

comer algo tipico canadense: Poutine! Comi 2 vezes em Toronto e vou dizer que não curtir tanto assim. Dai vieram me dizer que é pra comer em Montreal blabalbla. Como eu não tava mt fã de comer batata frita murcha com molho e pedaços de carne decidi que só iria comer no ~melhor lugar~, La Banquise. Confesso que lá é boa mesmo! *_* Agora eu gosto de poutine rssss

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Poutine em La Banquise

Outra coisa que eu comi e me disseram que era especial é smoked meat/carne defumada/viande fumée num lugar que tem 80 anos que abriu! Váaarios famosos ja foram lá. E, na boa, o lugar em si nao tem nada demais. Decoração original de 80 anos atras e até meio precisando de uma reforminha… Pra lembrar do nome foi precisar do google, guentae! O nome é Schwartz e o site é muito mais bonito que o lugar, só comentando…

E alem desses dois ainda tem um tal de ‘rabo de castor’ que é sobremesa e eu quero experimentar um dia.

conhecer alguém do mundo dos blog: ja comentei que conheci pessoalmente a Lidia e a Dea =D e por acaso ainda me reconheceram no weekends du monde! Aquele momento de panico em que você não sabe de onde aquela pessoa pode te conhecer. Nada como fotos no facebook xD

A unica coisa que eu não sinto que to fazendo é tirar foto das estações… Eu ainda não arrumei um lugar pra ficar tirando mais acho que quando o outono chegar ou começar a dar sinais eu vou tentar tirar fotos dos lugares que eu ja tirei pra comaprar.

Os próximos itens da lista são: La Ronde (parque de diversões), NY e Mont Tremblant. E assim que eu descobrir onde alugar patins esse item tambem! o/

Os outros itens eu preciso esperar mudar de estaçãp, então por enquanto é só isso.

Ela

O fim das pennies! E mais sobre moedas canadenses

É hora de dar tchau pra penny, a moeda de um centavo canadense. Assim como fizemos alguns anos atras (e outros paises tambem ja fizeram) o Canada vai parar de fazer as moedinhas de um centavo que nada compram. O motivo? Basicamente fazer 1 centavo custa mais caro que 1 centavo e com isso $11 milhões vão pelo ralo todo ano. Para mais veja o texto da OiToronto (ah lá tem um vídeo bem legal).

Aproveitando o assunto moeda….

Vou contar a minha experiencia com essas moedas. Quando eu fui pra Vancouver eu pagava as coisas com as cédulas e de forma geral SEMPRE recebia moedas. Depois de um tempo a minha carteira ficou bem pesada. Acontece na hora de comprar eu não conseguia ver o valor das moedas e no pânico acabava pagando com cédula mesmo. E ganhava mais moedas. Um certo dia eu resolvi contar minhas moedas (em casa com calma) e eu devia ter quase 30 dólares só em moeda! Daí tive tempo de conhecer cada uma delas e me empenhei em comprar coisas usando moeda pra tirar esse peso da minha vida carteira/bolsa.

Bom, percebi que isso não foi só comigo quando vi a carteira cheia de moedas da minha amiga tambem brasileira e da minha roommate colombiana (não que nacionalidade importe rs).

Primeiro, as moedas vão até 2 dólares e as cédulas começam no 5. Por isso que eu recebia tanta moeda de troco!

Segundo, ao contrario das moedinhas brasileiras, os canadenses escondem o valor com letrinhas beeeeeem pequenas! Nunca fiquei tão orgulhosa das nossas moedas. Não tem quem não ache o 1 ou o 50 nas nossas moedas! Por outro lado as moedas deles tem desenhos mais legais rs mas não são nada funcionais. De quebra eles ainda dão nomes as moedas.

moedas canadenses

Acho que ficou ruim de ler a foto. Então, vejamos:

$2, oo = Toonie

$1,00 = Loonie

$0,50 = …. ué, não tem nome?

$0,25 = quarter

$0,10 = dime

$0,05 = nickel

$0,01 = penny

É chato ir comprar alguma coisa e alguém perguntar se você não tem uma dime e você ficar com cara de confuso.

Outra coisa que vale ressaltar: eles usam todas as moedas, inclusive as de um centavo (bom, isso até ela sair de uso rs). Não sei quantos de vocês vão se identificar com isso, mas eu simplesmente não tinha saco o habito de contar e pagar com moedas. Isso eu comecei a fazer lá e quando voltei perdi o habito de novo. Se eu for comprar alguma coisa de sei la 5 reais ou mais com moeda acho que a pessoa do caixa vai me olhar feio rss Mas lá era super tranquilo com isso. Tipo, bem normal. Moeda tambem é dinheiro.

E já que o assunto é dinheiro por que não falar das cédulas?

Ao contrario das americanas que são todas verdinhas, as canadense são coloridinhas que nem as nossas =) E mais facil de saber o valor do que as moedas rssss

cédulas canadenses

Bom, é isso.

 Ela

Vida abaixo de zero – documentário

Resolvi ver o documentário sugerido pelo site Imigrar sobre o inverno canadense e comparando com a Russia e a Escandinávia (Dinamarca, Suécia, Noruega e acho que Finlândia). Como eu sei que não sei falar do vídeo sem spoiler sugiro que você veja antes de continuar lendo. É um vídeo de 45 min (em inglês) e eu recomendo.

 

Se você quiser ler sem ver o vídeo fique a vontade, mas a partir daqui tem spoiler.

A primeira coisa que me surpreendeu no vídeo foi que os canadenses não gostam de inverno! Eu achava que eles curtiam o inverno, mas parece que eu estava errada. As pessoas dizendo “eu odeio o inverno” realmente me chocou. Eles reclamam da neve (poxa…), da confusão gerada por ela e de todo o trabalho de tirar a neve das calçadas e ruas e do carro antes de sair (tudo bem , isso deve ser chato mesmo). Mas eu esperava um lado bom do inverno. Daí em 2009 quando o inverno foi fraco eles adoraram! Resumindo: os canadenses gostariam de pular o inverno. Mas eu fiquei pensando… Será que é um pouco por conta dos imigrantes. Muitos devem sair de um país com o inverno mais brando ou mesmo patético como o nosso e portanto não sabem lidar com ele. Será que isso não faz um pouco com que na hora de fazer uma pesquisa com a população apareça um grande numero de pessoas que não gostam de inverno?

Enquanto isso na Russia o inverno é abraçado e festejado e  o mundo não para por causa do frio – mesmo que seja -30C. Essa atitude com o inverno é realmente cultural lá e eu acho uma atitude bem positiva. O fato do inverno ter dado um mãozinha historicamente em guerras como de Napoleão e Hitler ajuda bastante. Com isso os russo são orgulhosos do inverno. Feiras ao ar livre e piscina (!), churrasco, sorvete e todo que puder eles continuam fazendo durante o inverno. Ao mesmo tempo que me parece legal, tambem me parece um pouco loucura, mas tudo bem.

O que eu gostei mais foi a visão de um canadense na Russia. Enquanto os canadenses lutam contra a neve – e pra isso criaram pás pra neve, snowmobile e todas as maquinas de tirar neve da rua etc (sim, tudo invenção canadense) – os russos abraçam, mas em parte porque eles tambem não tem condições. O Canadá é mais rico que a Russia logo eles usam a tecnologia a seu favor. É como se os russos ainda vivessem no passado canadense.

Falando em passado, eu fiquei triste de ver que a alegria do inverno foi deixada de lado por causa de imigrantes. Toda a imagem do inverno não era boa pra atrair imigrantes e sei lá como os festivais de inverno foram ficando de lado. E isso aliado a tecnologia começaram a surgir as cidades subterrâneas e então tudo ficou indoors. Não se curte o inverno lá fora e sim trancado entre quatro paredes, seja pra nadar, jogar golf, ate mesmo esquiar (!). Eles fogem do inverno, ignoram e ficam torcendo para que acabe logo.

Da Russia para Escandinávia, lá a tecnologia ajuda, mas sem eliminar o inverno. Eles aquecem as calçadas!!! Chegaram a conclusão que é barato assim do que remover neve e ter pessoas machucadas que não podem trabalhar (como é que o Canada não pensou nisso ainda???) . Então aos poucos o centro (não sei que cidade) ficou um lugar em que as calçadas não tem uma nevezinha se quer e muita gente na rua. Mas só nas calçadas, porque as ruas continuam brancas.Na verdade foi uma cidade planejada para o inverno, mas sem ficar indoors. Os prédios tem limite de altura para evitar que façam sombra durante os curtos dias de inverno alem de usarem cores vivas pra dar um alegrada.

Eu sou uma pessoa que gosta de frio. Odeio verão, calor blaaaa. Adoro usar casado (talvez porque quase não use). Acho o inverno mais chique, mais arrumado e eu ainda acho mais fácil fugir do frio do que do calor. Um bom casaco resolve seu frio, mas não há roupa que resolva seu calor. Ar condicionados podem não dar vasão, mas no frio qualquer aglomerado de pessoas já ajuda a aquecer. E mais, por mais quente que seja o nosso verão aqui no Rio não é todo lugar que tem ar condicionado, enquanto em lugares muito frios sempre tem aquecedor.

Eu esperava aprender com os canadenses a curtir o inverno, mas parece que não é bem assim. O ideal pra mim seria o amor e o entusiasmo dos russos, a parte arquitetônica da Escandinávia (planejamento, neve em alguns pontos) e o preparo canadense (sim, a tecnologia) e ter a opção de viver o inverno in e out doors.

Ela