O interculturalismo do Quebec (continuando)

No ultimo post eu falei do Multiculturalismo e seus efeitos. Só esqueci de dizer que era mais pro Canada do que pro Quebec. Eu acabo esquecendo que o Quebec é meio filhinho favorito e faz o que quer. Com isso no Quebec existe o Interculturalismo. E ele por sua parte é diferente do Multiculturalismo.

A professora definiu (estamos falando disso em sala de aula) o interculturalismo mais ou menos como “você acredita no que quiser, fala a lingua que quiser, as tradições que quiser… Dentro da sua casa.” Enquanto o Canada e seu multiculturalismo quer abraçar o mundo e gritar “SEJAM TODOS BEM-VINDOS” (mesmo que essa atitude tenha repercussões já discutidas no post anterior), o Quebec prefere mostrar seus valores e ter os imigrantes se integrando a eles, mas deixando espaço pra que cada um ainda mantenha sua cultura, se quiser. Como na lista de leitura não tinha nada muito especifico de Quebec eu achei o texto “Clarification of terms: Canadian Multiculturalism and Quebec Interculturalism” que eu confesso que não li todo. A questão é que o interculturalismo quer que o imigrante saiba e respeite os valores de Quebec. E os valores são definidos: liberdade de expressão e religião são fundamentais a sociedade quebequense alem do mais todo mundo beneficia da proteção igual da lei (leis aplicáveis a todos) e o documento oficial diz mais: “viver no Quebec é viver em francês (MICC, 2011, p. 2). A lingua francesa é o simbolo de pertenção à sociedade quebequense (MICC, 2011, p.2). Aprender a lingua francesa é, de fato, necessário para uma integração social e economica bem sucedida (MICC, 2008, p. 14; MICC, 1991, p. 17 and 66).” #ficadica

Com isso você vê que o approach do pais e da província são um cadinho diferentes. Ambos concordam com o conceito de que a lei se aplica a todos e que deve se respeitar a herança cultural que o imigrante trás. Mas eles diferem no momento em que Quebec quer que você faça parte e saiba e respeite os valores locais e em troca Quebec respeitará sua contribuição como imigrante e assim a integração bem sucedida precisa dos esforços de quem ta aqui e tambem de quem chega. Em palavras mais simples todo mundo fica feliz (no papel). Já o Canada, segundo o texto apresentado no post anterior, me parece muito mole e sem impor limites. Não da pra agradar todo mundo e dizeer que todas as culturas estão ‘certas’ e podem fazer o que quiser. Ideologias opostas caminham em direções diferentes e ai?

Conheça o Hijab.

Bom a questão é que Quebec tambem tem seus problemas. Nessa de enfatizar no Estado secular rolou aquela conversa ha mais de um ano atrás sobre funcionários do governo não poderem mostrar nem um item religioso no local de trabalho. Ouvi sobre o assunto, mas não li sobre. Basicamente ninguém poderia ter uma cruz, um véu, uma estrela de Davi ou qualquer outro item relacionado a religião já que o funcionário estaria representando o Estado e o estado é laico. Mimimi. Mas do que interferir na liberdade de expressão e o direito a religião essa ideia pra mim fica bastante discriminatória quando chega no hijab (o véu que cobre/esconde os cabelos), por exemplo. Basicamente quem usa não poderia trabalhar no governo. Cadê aquela coisa de oportunidades iguais? E não pense que é raro não que aqui tem um monte. Assim como muitas outras religiões. Na minha pequena opinião eu acho que uma lei como essa ultrapassa uma linha, um limite. Mas ela teria ficado de lado depois das eleições.

Pequeno pode. Grande não pode.

Seja Bem-vindo!

Até que, com a situação da França do Charlie Hebo, Quebec, que se espelha muito na França, quis voltar a considerar o que eles chamam de Charter of Values (que discutia a questão dos funcionários do governo vs sua religião no local de trabalho). Mas acho que esse é um daqueles assuntos que entram e saem dos jornais, mas não vão muito a lugar algum. Mas isso mostra como Quebec quer um pouco que seja. Soa como um: você é livre pra fazer o que quiser e vestir oque quiser, em casa. Na rua você tem que se enquadrar e parecer e agir como ~eles. #achochato

Aparentemente esse assunto era bem trabalhado quando a minha prof tava no colégio (brainwashing. Oi?). Ela contou uma historia meio bizarra. A prof dela tinha um mapa e estava colocando um pin em cada país que representasse a cultura dos alunos. Legal? Só que não. Essa prof queria por que queria encher o mapa dai que ela marcava Itália mesmo pras crianças em que a ligação com a Itália era o tataravô, sabe? O lance era encher o mapa. E eis que na vez dela na hora de responder – o classico – ” da onde você vem?”  no qual você = familia no sentido “quem na sua familia é imigrante e da onde ele/a veio” (essa ultima parte foi por minha conta) ela só conseguia responder Quebec. Acontece que ela é a rara espécie de Quebecoise que nasceu no Quebec, filha de Quebecois e se muito tem alguém nos EUA. Mas essa não era a resposta que a prof queria. Vê se pode! Como se ser daqui não fosse bom ou como se não fosse um lugar/pais/nacionalidade. E ela, como criança, chegou em casa decidida a saber de onde eles são. Hoje ela acha que a vó só a quis deixar feliz quando disse que tinha Espanhóis na linhagem. Nem no avô que disse que eles tem descendentes Nativos (índios). Isso tudo pra mim soa mais como a versão do Multiculturalismo. Mas vai que na época o conceito tava mais misturado o_O

Via Rail

Lemos em aula tambem um poema que fala da época da construção da Via Rail – a linha ferroviária que liga Leste a Oeste do Canada. E falando desse poema teve muito assunto historico e pouco tocado. Como qualquer pais hoje em dia, o Canada tambem tem um lado da historia menos bonita. Eles trouxeram muitos imigrantes para a construção (trabalho escravo e exploração de imigrantes, alguem conhece?). Mas quem tava aqui tb queria trazer familia e eis que criam um tax head (imposto por cabeça) no qual o imigrante aqui teria que pagar o equivalente ha um ano de trabalho para trazer alguém. Depois teve um historia com campos de concentração? Durante alguma guerra os Japoneses eram os “inimigos” e como o Canada sempre vai ficar do lado da Rainha (leia-se Inglaterra) os Japoneses não automaticamente inimigos. Ai que o Canada, seu lindo, jogou os japoneses em campos no meio do nada em condições péssimas apenas para tirá-los da vista e dar sensação de segurança =) #risoironico.

Deixa eu enfatizar que isso é a minha versão do que eu entendi com o resumo que ela deu da historia. Mas a moral da historia é que o Canada teve sim seus problemas e está longe de ser um país perfeito. Assuntos assim são deixados de lado na hora de contar as historia do país né rs. E só como uma questão de conhecimento geral foi daí que nasceu o prato Patê Chinois. Eles alimentavam a massa de imigrantes (em boa parte chineses) com isso. E o curioso é que a família da minha super quebecoise prof tem mó orgulho disso. Eles alimentaram a massa. Alguma coisa assim.

Mais uma curiosidade – um pouco fora do tema. As escola no Quebec acabam tendo preços para Quebecois/residente; canadenses; e estudantes internacionais. Sim, três preços. Um pra cada. Só que Quebec tambem tem um acordo com a França no qual franceses podem estudar aqui pagando preço de quebecois! :O Mas se alguem vem de Ontario ou Manitoba etc paga mais caro! #tobege

Realmente o Quebec é como um país dentro de um país. Gosto muito de Montreal. Mas em caso de separação acho que eu fico com Canada.  =X   Shhhhhhh!

Ela

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